Na
falta de anos, experiências de vida e, especialmente, talento, eu não posso
ensaiar nenhum manual do bem-viver a la
“Filtro Solar”, mas minha pequena bagagem já me avaliza a dar alguns pequenos pitacos , que seguem-se assim:
1º)
Não se limite ao que lhe foi dado e se liberte dos retratos pintados, pois
nenhum artista, por mais talentoso que possa ser, captura o que está sob a pele
de alguém. Tenha coragem de desenhar e redesenhar sua própria imagem, pois a
autenticidade vale mais que a precisão ou a beleza do traço;
2º)
Não se inscreva nas histórias que lhe foram contadas, procure escapar da
personagem narrada porque ela revela apenas a percepção do narrador. Tenha
claro, portanto, que serás sempre melhor do que teus desafetos professam e
inevitavelmente, pior do que teus amigos poderão lhe confessar;
3º)
Solte-se das amarras que tentarão lhe impor, não deixe que lhe prendam aqui ou
lá, mantenha-se em flutuação – a alma não pode ser âncora ou porto, ela só
sobrevive enquanto maré. Fuja de quem lhe aprisiona e de tudo que limite sua
visão sobre o mundo;
5º)
Por fim, escape de todo e qualquer absolutismo, as verdades são entidades
abstratas que se colam apenas à ignorância e ao medo. As certezas são os freios
da vida. Estimule sua curiosidade, questione-se e surpreenda-se com cada novo resultado,
não permita, em nenhuma etapa da vida, que a possibilidade do erro lhe impeça
de tentar;
Tomadas
tais precauções, creio que tudo estará encaminhado para que, com o passar dos
anos, a rotina não consiga substituir a aventura. Lembre-se que a medida de uma
vida bem vivida é dada apenas pela dimensão do sorriso e pelo encantamento do
olhar que prevalece à face já marcada pelo tempo.




























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